Textos registrados — Lei 9.610/98 País Leitor


Livros, leia livre!
           Fabbio Cortez

POR UM PAÍS LEITOR

Amor às palavras

LEIA. LEIA MAIS. AMPLIE O PENSAMENTO!
LEIA POR PRAZER!
INCENTIVE AS CRIANÇAS A FAZER O MESMO.

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Curiosidade — Conforme a Lei N.º 11899/2009, comemora-se o DIA NACIONAL DA LEITURA em 12 de outubro (também Dia das Crianças, como todos sabem).

Mas tal data é somente para comemorar, pois lembre-se: o bom é lermos em TODOS OS DIAS DO ANO!
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"O caminho do bem pode ser auxiliado grandemente pela prática da leitura. Por boa leitura", Fabbio defende. Ele tem sido doador de livros desde muito cedo, assim como voluntário incógnito a fazer leitores por onde passa. Já ensinou incontáveis crianças e adultos a ler o mais corretamente possível, utilizando técnica fonética própria, principiando com literatura simplificada e incentivando-os, passo a passo, a apreciar obras mais densas e de maior qualidade.

Escreve por amor genuíno às palavras e às "viagens" que podem advir delas, haja vista ter tido sempre consciência de quão complexo é produzir ou promover arte e cultura no Brasil, mormente por meio de livros alternativos, sem muito envolvimento com a mídia capitalista.

Cortez compreende o mercado convencional livreiro, é claro, mas defende uma comercialização literária um pouco menos agressiva, sem a obrigatoriedade de atravessadores exageradamente ambiciosos, a fim de que seja facilitado o fomento de mais leitores no Brasil. Diz ficar indignado por cobrarem ingresso ao povo nas grandes bienais do livro.


Resumo de um dos tópicos da palestra motivacional "Qualidade de vida: um ideal em melhoria contínua", de Fabbio, em resposta à pergunta "O que devem fazer os governos municipais para fomentar políticas públicas de leitura?"

Primeiramente devemos entender que estimular as crianças a ler deve ser objetivo precípuo dos pais. A leitura não é algo que se possa escolher: "Ah! não gosto de ler, então não o farei"; pois ler é desenvolver o pensamento crítico, é crescer, é viajar sem sair do lugar, todos sabemos disso. A questão é que para gostar de ler há de se SABER ler. E muitos, muitos pais, infelizmente, por descaso antigo das políticas culturais no Brasil, também não sabem fazê-lo corretamente. Resta-lhes proferir que não têm prazer em ler, e esta asseveração tende a ser legada aos filhos.

Então temos em nossas mãos um grave problema, pois não se poderia deixar somente sob a responsabilidade da escola a formação de leitores — ainda que na escola desde sempre houvesse esta preocupação, e não é essa a verdade. E pior, lembremos que parcela muito grande do povo vive perto da miséria, sem acesso ao mínimo de informação séria. A televisão aberta, que deveria ser canal de motivação ao pensamento crítico, ao contrário, incentiva a vitória da mediocridade, pois que não vende desenvolvimento cultural e sim, quando muito, folclore superficial e barato.

Não haveria portanto solução? Não é bem assim. Sempre há soluções plausíveis. Para tudo o há; mas recuperar defeitos culturais crônicos — não subestimemos — não é fácil empreitada, há de se querer re-a-li-zar de verdade, com vontade de guerreiro, com constância de propósito.

Sem esperar que os responsáveis pelas crianças façam o que deveriam fazer, as prefeituras têm de procurar dissolver este trauma, esta corrente do mal enraizada no inconsciente de nossos pequenos futuros cidadãos, curando-os com delicadeza e paciência porém com firmeza, propiciando-lhes leituras lúdicas basais, com a teatralização de textos de qualidade e a produção literária, tudo num crescendo, com comprometimento real dos educadores e dos governantes.

No que tange à leitura, não se pode simplesmente seguir o sistema estabelecido de avaliação das disciplinas em geral, a infeliz tradição brasileira de "estudar para fazer prova e depois esquecer tudo". Temos em vez disso de incentivar permanentemente as crianças a pensar, a criar e a desenvolver-se para serem pessoas de fato cultas e de mente aberta; e para tamanho trabalho, há de se compreender sem hipocrisia a gravidade do problema e a força que teremos de ter para solucioná-lo como se deve.


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SOBRE POESIA

No Brasil é no mínimo meio estranho falar em poesia. Quase ninguém se interessa. Às vezes me sinto como se estivesse afrontando alguém. A maioria das pessoas, o povão mesmo, vive tentando arranjar o pão diário a dar aos seus, no corre-corre enlouquecido pela sobrevivência. O pouco que se lê pelas bancas são as chamadas dos jornais e revistas sensacionalistas, as infinitas notícias sobre corrupção, violência, ah, e as coisas fúteis que forçam goela abaixo da população. E o pior: isso acaba se tornando importante, haja vista a falta de cultura e a alienação quase generalizadas. É a inegável "vitória da mediocridade", como li não sei onde dia desses, é o caos brotado do vazio de muita gente inescrupulosa que só tem o dinheiro e a mídia como objetivo na vida. E como é possível ainda falar de poesia num país em que sensibilidade é vista como "assunto de mulher"? Mas não importa: faremos o impossível; ralaremos nossa cara pálida no asfalto até nos ouvirem. Ah, e se não ouvirem orelhas adentro, captar-nos-ão telepaticamente então.

A questão é que até os medíocres estão vivendo poesia, só que não sabem. Pois poesia é também a estapafúrdia morte de adolescentes estampada com todas as cores que o sangue pode ter nos programas e microjornas policiais; é também o que se tem feito na podre política ou encenado na mídia pseudodesgovernada. A poesia, portanto, não tem de ser piegas, cheia de melosidades, ou, mesmo se de qualidade, somente romântica; pode ser, e até tem de certa forma a obrigação de ser hoje denunciativa, gritativa dos apertos covardes. É hora de se levantar a poesia no Brasil! e pô-la no lugar que merece estar.

Vamos lá, poetas, gritemos! se um único louco nos ouvir já teremos sido vitoriosos.


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LER POESIA: PRAZER E UTILIDADE?

Andam dizendo Brasil afora que poesia não é viável para o mercado editorial. Por que será que isso ocorre? a questão estaria no nível de prazer que uma composição ou livro pode proporcionar ao leitor? Quando procuramos por uma obra, pensamos alcançar um objetivo específico. Os livros de autoajuda estão vendendo sem parar e cada vez mais surgem títulos novos no mercado, obviamente porque nesta vida moderna, em meio ao corre-corre alucinado a que estamos submetidos, todo mundo precisa de algum auxílio.

Pois bem, o que um livro de poesia pode então proporcionar para fazer com que alguém tire lá seus 15, 20 ou 30 reais da carteira para adquiri-lo sem sentir dor de bolso, sem sentir-se culpado? Veja bem, não estou aqui falando dos menos favorecidos, que não têm nem o que comer; aí já é outra conversa e até matéria de estudo e de desenvolvimento de mais poética social. Estou falando de muita gente que, por exemplo, vive comprando CDs recheados de poesia. É. Quando dizemos que tal composição da MPB é de qualidade é porque geralmente esta é toda formada de poesia. Se, afinal, o negócio é bom, vende.

Um grande problema está no fato de as pessoas acharem não ter tempo de pôr a cabeça para funcionar nuns versos ou mesmo não quererem fazê-lo. A música já está meio pronta, a gente não precisa pensar muito, é só relaxar... Já a poesia... aí são outros detalhes que precisam ser acertados antes com nosso eu interior; tem de se querer viajar no pensamento, fazer valer essa viagem com momentos especiais, sem teorizar muito, apreciando a paisagem intuitivamente. Se intelectualizarmos demais vira uma chatice, pelo menos para o povo comum. Isso é assunto para os acadêmicos — assunto importante, diga-se de passagem, não o devemos negar —, mas penso que seja mais importante comprometer-nos com a exteriorização do mundo desconhecido do poeta e saber adaptá-la à nossa vida. Assim, quem sabe, afinal de contas, a poesia nos seja útil. Devemos ler com calma todos os versos que nos forem apresentados, fabricando o tempo necessário, parando-o se for necessário, perguntando-nos o que podemos apreender com o que a Poesia disse por meio dos poetas.


A POESIA é maior que poemas e poetas!


sabermos que  a POESIA existe
já  é para  nossa alma conforto
mesmo que  ela se nos  mostre
quem sabe num verso ou outro

              (Cortez)


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